Reflexão do filme: “Amarelo - É tudo pra ontem”


Imagem: Reprodução Google


O filme apresenta uma narrativa descritiva contando como o racismo se manifesta na sociedade, principalmente, no Brasil e suas consequências atualmente, assim, o longo busca no passado mostrar através de fatos históricos de uma forma dinâmica e expor vários problemas sociais que os negros enfrentam, dando, destaque para aqueles que moram nas favelas, além de refletir também, sobre a música tipicamente brasileira como o samba, rapper, samba rep entre outros.

O cenário do filme apresenta dois espaços principais um é o estúdio e outro o teatro. O personagem principal é o artista Emicida que narra à história do povo negro. Assim, a obra é dividida em três Atos. O primeiro ato chamasse Plantar que retrata a inspiração do cantor. Refletindo, o fato do teatro, assim como, outras construções seres historicamente realizadas pelo povo negro, contudo, depois de prontas não conhecerem o lugar.

Conta ainda, sobre as raízes do samba, além de relembrar a semana de arte moderna, onde muitos homens brancos europeus utilizaram imagens de pessoas negras, mas que não deram valor nem respeito, além disso, fala da luta do cantor Emicida em mostrar uma linguagem rapper como uma expressão artística.

Regar é o nome do segundo ato que cita a história de luta de Lélia Gonzalez uma personalidade importante que protestava a partir do conhecimento sobre interseccionalidade. Nesta parte, conta ainda como os militares mataram pessoas negras por associar a luta antirracista com ideais do comunismo.

Colher é o nome do terceiro ato que pensa sobre a negritude na sociedade e o preconceito que os negros enfrentam por causa de sua cor. Fala também, da Lei da Vadiagem em 1941 que prenderam sambistas, capoeirista, umbandista, prostitutas, transsexuais, candomblés que tentam juntar bandeiras para lutar contra o preconceito.

O longa-metragem reflete ainda, sobre o momento de pandemia que aconteceu em 2020, tendo seu primeiro caso confirmado em uma empregada domestica retratando o fato como emblemático e simbólico e como as pessoas pobres e pretas estão expostas a contaminação de doenças.

Sobre os aspectos técnicos a fotografia é colorida com alta resolução, nitidez e com uma qualidade impecável. Os ângulos são diversos, abertos mostrando a cidade de São Paulo, a periferia e o teatro, já no cantor, geralmente, é plano médio ou fechado para focalizar no que ele relata, além desses, tem os planos detalhes que mostram os objetos como microfones no estúdio, tambos, mãos e pés.

As músicas utilizadas são os sambas alegres contagiantes que falam da vida cultural são antigos e atuais, além do rapper do próprio cantor e fala da luta compra o preconceito e questões sociais do país contando com a participação da cantora Pabllo Vittar. Uns dos recursos utilizados são os jogos de som e imagens para cobrir alguns espaços de silêncio para impactar o telespectador de forma inteligente e proposital. 

Imagem: Reprodução Google


O filme conta ainda, com um estilo de documentário utilizando de entrevistas, animações, e cenas de bastidores. E os figurinos lembram roupas comuns do dia a dia como short jeans, calças moletom, contudo, no show percebem-se um contraste, pois as roupas são coloridas, batas que remete ao estilo Africano.

Fazendo uma associação com o texto de Wilson Roberto de Mattos “Negros contra a ordem: astúcias, resistências e liberdades possíveis”. Ambos os assuntos trata das relações sócio-raciais, principalmente, brasileira.

No texto, é possível entender que a cultura da população tem uma grande importância no modo como se expressamos na sociedade e o racismo por ser uma violência que por anos vem dessa construção, onde o povo negro africano foi escravizado e excluído de educação de poderes entre outros, fazendo parte apenas do trabalho que até hoje podemos perceber em substituição da mão-de-obra escrava pela mão-de-obra livre como é possível também refletir através do filme Amarelo.

Ainda é possível perceber em ambos os assuntos o racismo estrutural, onde a policia e legislação reprimiu a imersão dos negros na sociedade, além da arte, música, dança, religião entre outras, contudo,  resiste mesmo em situações desfavoráveis como a falta de proteção do Estado.

Texto escrito pelo estudante de Jornalismo em Multimeios Moisés Cavalcante para a disciplina de Cultura Afro-Brasileira e Indígena. 

Blogger com a intenção de compartilhar conhecimento e educação. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reflexão sobre o Estatuto do Idoso

Resenha do filme: “ENCONTRANDO FORRESTER”